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15 de Jun

O FUTURO DA CADEIA PRODUTIVA DA CARNE BOVINA BRASILEIRA: CONSUMO

Adaptado de Ana Luiza Homsi Galesi por Zootecnista Henrique Costa Filho Consultor Técnico Sustennutri

O consumo de carne bovina é algo tão natural e tão presente do dia a dia das pessoas que muitas vezes nem paramos para pensar “será que sempre foi assim? E será que sempre será?”. Sempre é uma palavra muito forte.

O que podemos é ter uma ideia e uma perspectiva de como estará o consumo de carne bovina daqui a alguns anos. Agora vamos analisar como será em relação ao consumo, pois não basta apenas investir na produção se não tiver um mercado consumidor favorável para tal.

Será uma revisão do Relatório do CiCarne/Embrapa “O Futuro Da Cadeia Produtiva Da Carne Bovina Brasileira: Uma Visão Para 2040” (ver a publicação nesse blog em 29/12/2020, O futuro da cadeia produtivo da carne bovina brasileira - uma visão para 2040) como base para esses esclarecimentos.

 

A perspectiva do consumidor

Não adianta investir na produção se não existir mercado consumidor. Dessa forma, é muito importante saber o que o próprio consumidor pensa sobre essa mercadoria e como melhor atender as exigências do mercado. O agronegócio tem sofrido muitos ataques injustos, e a pecuária é um bom exemplo disso. Sendo o Brasil um dos maiores produtores de carne do mundo e sendo esse ramo um dos maiores contribuintes para o crescimento do país, é de se esperar que a população esteja atenta a novas informações, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento brasileiro sem prejudicar o produtor e “cancelar” o produto. Até 2040, haverá muito investimento em tecnologia e bem-estar animal. Por isso a produção será mais sustentável e espera-se que seja mais bem vista aos olhos da população. Hoje, temos presenciado diariamente, pessoas que estão cada vez mais adeptas ao perfil vegetariano/vegano, ou seja, que não consomem carne de nenhum tipo. Apesar disso, pesquisas apontam um aumento no consumo de carne entre os anos 2008 e 2020. Mesmo com o preço da carne em alta, esse aumento no consumo é real e vai continuar. O preço alto da carne atualmente, é o resultado da oferta restrita de gado no país e forte demanda da China, que importa esse produto do Brasil, sem contar as consequências da pandemia do Coronavírus que vem devastando a saúde e economia do mundo inteiro. Diante desse cenário, a previsão é de que já em 2029, o Brasil produza 12,6 milhões de toneladas de carne bovina, o que equivale a 27% a mais do que foi produzido em 2018. As exportações também vão aumentar, chegando a 3,2 milhões de toneladas, ou seja, 102% superior em comparação ao que é hoje.

O consumo interno deve crescer 12%, passando de 7,9 milhões de toneladas para 8,8 milhões de toneladas. A previsão para 2040 é de que a carne bovina brasileira já esteja consolidada e apresente certificação de qualidade tanto para o mercado interno quanto o externo. Para isso, muitas coisas vão mudar, como por exemplo o maior controle da inspeção sanitária em frigoríficos, maior introdução de genética taurina no rebanho e maior aceitação do produtor a certificações.

 

Disponibilidade de produtos

E para quem acha que o futuro está muito distante, atualmente já podemos perceber diversas inovações como as chamadas “boutiques de carnes” que estão em alta. São lugares que oferecem cortes de carnes nobres, conhecidos também por açougues premium. Essas carnes nobres são parcelas da carne do boi destinadas principalmente ao churrasco, ou seja, cortes com melhor acabamento. E o que já é tendência hoje, apresenta alta probabilidade de se expandir mais ainda em 2040. Além disso, a busca por produtos orgânicos hoje tem aumentado no mercado, apesar do preço não permitir um acesso para a população como um todo. É difícil dizer que a carne entrará nesse nicho, porém existe uma grande probabilidade de que sim, pois produtos desse tipo (orgânicos) são os que mais entram na categoria de saudabilidade e ética de produção.

 

Hábitos de consumo

Se hoje o consumidor já é exigente quanto aos produtos que consome, em 2040 já podemos prever que isso continuará. Por isso, a indústria de carne investe cada vez mais em formas de diferenciar os cortes, em padrões organolépticos, e formas de conseguir atender a todos os grupos consumidores, sejam eles exigentes na questão monetária, nutricional, ambiental, éticos ou religiosos. As mudanças nos hábitos de consumo é que ditam como será o processo industrial. Aqueles produtores e empresas que não conseguem atender às demandas tendem a se tornar menos competitivos em relação aos outros. Pesquisadores e organizações buscam sempre conhecer os gostos, as preferências, os hábitos e as atitudes dos consumidores para que se possa ter uma ideia das tendências e perspectivas em relação ao comportamento de consumo. O ponto negativo dessa tecnologia é que, ainda, os consumidores gostam de escolher seus próprios alimentos, e até mesmo diferentes peças do mesmo corte de carne.

 

Conclusão

Diante dos fatos abordados neste artigo chegamos a algumas conclusões:

  • O preço da carne não é um fator limitante para o consumidor;
  • Os adeptos às dietas vegetarianas/veganas não atrapalham a produção e fornecimento da carne no mercado;
  • As inovações tecnológicas já são uma realidade atualmente e a tendência é que em 2040 seja um diferencial para que a pecuária seja mais bem vista aos olhos de todos.

 

O FUTURO DA CADEIA PRODUTIVA DA CARNE BOVINA BRASILEIRA: CONSUMO

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