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04 de Feb

CEPEA: RETROSPECTIVAS DE 2020

Adaptado por Zootecnista Henrique Costa Filho

Consultor Técnico Sustennutri

 

O Cepea publicou em 08/01/2021 um relatório com as retrospectivas de 2020. A seguir, irei fazer um resumo desse relatório para os mercados de MILHO e SOJA, por serem importantes constituintes dos nossos produtos.

 

MILHO: Paridade de exportação sustenta patamares recordes de preços em 2020

O mercado brasileiro de milho em 2020 foi marcado por produção e preços recordes, segundo indicam pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A forte valorização do dólar, a alta nos preços internacionais e a demanda externa aquecida sustentaram a paridade de exportação e, consequentemente, os preços brasileiros, sobretudo no segundo semestre, quando atingiram máximas reais históricas. Em termos globais, a produção foi menor.

No agregado, a produção brasileira foi recorde, com as três safras totalizando 102,5 milhões de toneladas. Se somada a produção total com o estoque inicial, de 10,2 milhões de toneladas, e importação de 950 mil toneladas, a disponibilidade total da safra 2019/20 é estimada em 113,65 milhões de toneladas. O consumo interno ficou em 68,66 milhões de toneladas, gerando excedente de 45 milhões de toneladas – dados da Conab.

Mesmo com a produção recorde no segundo semestre, a forte alta do dólar, os avanços nos valores internacionais e a demanda externa aquecida sustentaram a paridade de exportação e, consequentemente, os preços no mercado interno a partir de julho, que, por sua vez, alcançaram patamares recordes em outubro. 

Em 28 de outubro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa atingiu R$ 82,67/saca de 60 kg, o maior valor real da série histórica desse produto, iniciada em 2004. Já em dezembro, o enfraquecimento do dólar pressionou os valores na região dos portos e, consequentemente, no interior do País. 

No acumulado do ano, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa subiu 61,8%, a R$ 78,65/sc no dia 30. Na média das regiões acompanhas pelo Cepea, o aumento nas cotações foi de expressivos 81,6% no mercado balcão e de 70,1% no de lotes. Nos portos, os avanços foram de 93,7% em Paranaguá (PR) e de 98,2% em Santos (SP), também no acumulado de 2020.

Caso as estimativas da Conab se concretizem, as exportações brasileiras na temporada 2019/20 (fevereiro/20 a janeiro/21) devem somar 34,5 milhões de toneladas. Por enquanto, a atual safra acumula (fevereiro/20 e dezembro/20) 33,5 milhões de toneladas exportadas. Os estoques finais da safra 2019/20 (final de janeiro/21) podem atingir 10,5 milhões de toneladas, 23% abaixo da média das últimas três safras. Com isso, a temporada 2019/20 deve terminar com a disponibilidade inferior à das últimas safras.

Em termos mundiais, a produção na safra 2019/20 é estimada em 1,116 bilhão de toneladas, quantidade 0,64% abaixo da anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Entre os três maiores produtores, Estados Unidos, China e Brasil, houve forte redução na produção apenas para o primeiro País, de 5%. Já para China e Brasil, os aumentos foram de 1,4% e 1%, com respectivas produções de 260 milhões de toneladas e de 102 milhões de toneladas.

O consumo da temporada foi estimado pelo USDA em 1,32 bilhão de toneladas, redução de 1% em relação à anterior. Com a queda na produção mundial e o consumo se mantendo estável, os estoques finais caíram 5%, estimados em 303 milhões de toneladas. 

 

SOJA: Vendas se antecipam e preços atingem recordes em 2020

Como boa parte da safra 2019/20 já havia sido negociada antecipadamente (ainda em 2019), sojicultores brasileiros consultados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciaram o ano de 2020 resistentes nas vendas envolvendo grandes lotes, voltados ao cumprimento de contratos. O atraso na colheita também trazia incertezas quanto ao volume a ser produzido, que, no fim das contas, foi recorde, de 124,8 milhões de toneladas, segundo a Conab.

A partir do segundo bimestre do ano, o dólar passou a operar acima dos R$ 5,00, o que acirrou a disputa entre compradores domésticos e externos de soja. Esse cenário reduziu a diferença entre os valores pagos no porto de Paranaguá (PR) e no estado do Paraná.

O pouco volume ofertado no Brasil foi disputado por indústrias locais, que ofereceram preços acima dos da paridade de exportação, algo atípico.

Esse contexto fez com que os preços recordes fossem renovados mês a mês e estimulou agentes a negociar a produção das duas próximas safras – sendo a de 2022 ainda de forma incipiente. 

Em 2020, os Indicadores da soja ESALQ/BM&FBovespa Paranaguá e CEPEA/ESALQ Paraná registraram respectivas médias anuais de R$ 121,24/sc e de R$ 115,86/sc de 60 kg, com significativos aumentos de 47,5% e 50,9% frente às do ano anterior.

Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações de 2020 da oleaginosa subiram 45% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 49% no de lotes (negociações entre empresas). Quanto ao dólar, teve média de R$ 5,16 em 2020, 30,3% acima da registrada em 2019. 

 

DERIVADOS – Mesmo com encarecimento nos preços da matéria-prima, as indústrias brasileiras conseguiram repassar o aumento no custo aos derivados, tendo em vista a firme demanda. Esse cenário favoreceu a margem de lucro das indústrias em praticamente todo o ano.

Para o farelo de soja, diante da maior competitividade com os consumidores externos, avicultores e suinocultores domésticos procuraram, em alguns momentos do ano, mudar a composição das rações, no intuito de reduzir o custo. Uma das opções foi o DDG (grãos secos por destilação, na sigla em inglês).

Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os valores do farelo subiram 48,3%.

 

FRONT EXTERNO – No agregado do ano, o Brasil exportou 83,03 milhões de toneladas de soja em grão em 2020, 12,1% superior ao volume embarcado em 2019, segundo a Secex. O preço médio nominal, de janeiro a dezembro, foi de R$ 109,46/sc de 60 kg, 30,1% acima do registrado no ano anterior. 

Já as exportações de derivados foram menores em 2020, influenciadas pelo maior consumo doméstico. O Brasil embarcou 16,02 milhões de toneladas de farelo de soja (3,9% inferior ao escoado em 2019) e 915 mil toneladas de óleo de soja (queda de 3,4%).  Os preços médios recebidos pelas vendas de farelo e óleo de soja subiram 28,6% e 29,2%, respectivamente, em 2020 – conforme dados da Secex.

 

 

CEPEA: RETROSPECTIVAS DE 2020

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