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09 de Mar

CEPEA: PERSPECTIVAS DE 2021

 

Adaptado por Zootecnista Henrique Costa Filho

Consultor Técnico Sustennutri

 

Ainda dando continuidade no assunto, o Cepea publicou em 15/01/2021 um relatório com as perspectivas para 2021. A seguir, irei fazer um resumo desse relatório para os mercados de BOI, LEITE, MILHO e SOJA, por serem importantes para o nosso segmento.

 

BOI: Demanda externa e oferta ainda enxuta devem seguir sustentando preço em 2021

Depois de registrar recordes ao longo do ano passado, o setor pecuário nacional inicia 2021 com perspectivas positivas para o mercado. Os principais fatores que fundamentam esse cenário mais otimista estão relacionados à demanda externa e à possível continuidade de oferta restrita de animais para abate neste ano. Ainda que com menor intensidade, outro fator que pode influenciar uma sustentação dos preços internos é a demanda doméstica, que pode se aquecer em 2021, à medida que a economia brasileira se recupere.

No caso da demanda externa, tudo indica que os chineses devem continuar comprando elevados volumes da proteína brasileira, especialmente devido à necessidade de abastecimento do mercado local, tendo em vista que o país ainda se recupera dos prejuízos gerados pela Peste Suína Africana (PSA). Além disso, o custo baixo da proteína brasileira deve fazer com que a China permaneça como grande parceira. O câmbio também pode favorecer o setor neste ano, já que tende a manter as exportações elevadas.

Do lado da oferta, o menor volume de abate de animais já observado ao longo do ano passado deve seguir neste começo de 2021, mas, com a maior retenção de fêmeas para produção, a oferta pode começar a aumentar, especialmente a partir do final da safra, com o início do desmame. Assim, o primeiro semestre ainda pode registrar baixa disponibilidade de animais para abate, com pecuaristas, atentos às condições das pastagens, buscando um equilíbrio melhor dos preços.

Já no segundo semestre, o confinamento de animais dependerá dos preços de reposição e dos insumos, que já começam 2021 em patamares elevados. Assim, muitos pecuaristas tomarão a decisão de confinar com base nos preços da arroba do primeiro giro.

Se 2020 já foi incerto e desafiador para os pecuaristas, o ano que se inicia traz um horizonte de boas notícias, mas que exigirá do produtor atenção em sua tomada de decisão e uma boa gestão produtiva.

 

LEITE: Baixa oferta deve manter acirrada disputa por matéria-prima

A disponibilidade de matéria-prima deve permanecer limitada em 2021, especialmente no primeiro trimestre do ano, com volumes de leite abaixo da média registrada para o mesmo período de 2020. Esse cenário se deve ao clima desfavorável no ano passado (tempo seco e temperaturas elevadas, que prejudicaram as pastagens) e ao aumento contínuo nos custos de produção (os valores dos dois principais componentes da ração, o milho e o farelo de soja, atingiram patamares recordes).

Olhando para a ponta final da cadeia produtiva, a redução da demanda agregada e a perda do poder de consumo do brasileiro – devido à pandemia, ao fim do auxílio emergencial e à alta do desemprego – devem continuar desacelerando o consumo de lácteos. Esse cenário, por sua vez, tende a pressionar as indústrias a diminuírem os patamares médios anuais de preços do leite pagos aos produtores.

Por mais um ano, os custos de produção devem ser um grande gargalo ao pecuarista leiteiro. Isso porque os preços do milho e do farelo de soja devem se manter altos em 2021, sustentados pelas aquecidas demandas interna e externa por esses grãos. Diante disso, o poder de compra de pecuaristas frente a esses insumos de alimentação pode cair e dificultar possíveis incrementos na produção.

 

MILHO: Demanda aquecida deve manter os preços firmes em 2021

 

Os baixos estoques, a demanda firme e as incertezas quanto ao tamanho da oferta da temporada 2020/21 devem manter em 2021 os preços internos do milho em patamares acima da média de anos anteriores.

Para a segunda safra, o cultivo mais lento e tardio da soja, comparativamente a anos anteriores, traz temores sobre como será a semeadura de milho e se haverá impactos na produtividade. Com isso, a temporada 2020/21 deve se iniciar com incertezas em torno da oferta de milho – por enquanto, as estimativas oficiais indicam produção recorde no Brasil e no mundo.

Do lado da demanda, deve continuar aquecida nos mercados doméstico e internacional. No Brasil, o consumo segue crescente, refletindo o maior interesse do setor pecuário e, também, de novas usinas de etanol de milho do Centro-Oeste. As exportações devem ser favorecidas pelo dólar valorizado e pela alta nas cotações internacionais. A comercialização antecipada, especialmente para exportação, tende a restringir a oferta no spot nos próximos meses, podendo acirrar a disputa pelo produto.

A disponibilidade interna brasileira para a próxima safra – referente à soma de estoques iniciais, importação e produção – pode superar as 114,2 milhões de toneladas, quantidade 0,4% inferior à da temporada passada. Por outro lado, o consumo interno deve crescer em maior intensidade, e, com isso, a diferença entre a disponibilidade interna e o consumo seria de 42,4 milhões de toneladas, volume 6% inferior ao da safra passada. Esta quantidade estará disponível para exportação. Por enquanto, a Conab estima que 35 milhões de toneladas sejam embarcadas entre fevereiro/21 e janeiro/22.

Ainda para 2020/21, o USDA estima que as importações da China atinjam 16,5 milhões de toneladas, 117% a mais que na safra anterior, o que pode favorecer as exportações brasileiras nos próximos meses.

 

 

SOJA: Menor estoque pode sustentar preços em 2021

 

Mesmo com o baixo índice pluviométrico no início da semeadura da safra 2020/21, as ocorrências de chuvas em volumes mais satisfatórios desde a última dezena de outubro/20 geram expectativas de produção recorde no Brasil, estimada em 134,5 milhões de toneladas pela Conab (+7,7%) e em 133 milhões de toneladas pelo USDA (+5,6%). Ainda assim, a relação estoque/consumo final pode ser a menor das últimas nove temporadas, podendo dar sustentação aos preços domésticos de soja e derivados no decorrer de 2021.

O consumo doméstico de soja é estimado pelo USDA em 48,1 milhões de toneladas na safra 2020/21, sendo 3,46% superior ao da anterior e um recorde. Esse cenário se deve a expectativas de maior demanda doméstica por farelo, que é estimada em volume recorde, de 18,5 milhões de toneladas, 2,8% a mais que na temporada anterior.

O consumo brasileiro de óleo de soja também é previsto em volume recorde, de 7,7 milhões de toneladas, 4,19% superior ao de 2019/20.

Já as exportações devem se desacelerar no próximo ano. Isso porque a China deve adquirir maior parcela de soja dos Estados Unidos, motivada pelo acordo comercial entre ambos os países. Com isso, o escoamento brasileiro de soja é estimado em 85 milhões de toneladas, 7,7% inferior ao da temporada 2019/20. Para o farelo, a queda nas exportações pode ser de 4% e, para o óleo, de 0,52%, com os embarques estimados em 16,8 milhões de toneladas e em 1,15 milhão de toneladas, respectivamente.

CEPEA: PERSPECTIVAS DE 2021

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